Quando um paciente, sem doença celíaca, revela sintomas, dores abdominais, inchaço, fadiga, que diminuem mediante uma dieta sem glúten, é designado como “sensível ao glúten”. Com efeito, o organismo é sensível às gliadinas, a nível de absorção no intestino delgado. No passado questionava-se a existência da doença pela incerteza no diagnóstico. No presente, muita investigação científica reporta a sensibilidade ao glúten, como origem de múltiplas perturbações, desde a má absorção até às doenças auto-imunes. Estudos recentes não relatam é que a “sensibilidade ao glúten” pode não ser, afinal, provocada pelo glúten. Neste contexto, é imprescindível falar sobre outras duas doenças induzidas pelo glúten: a alergia ao trigo e a doença celíaca, correlacionadas com o sistema imunitário, já focado noutros artigos.
A alergia/intolerância ao glúten é responsável pela permeabilidade intestinal, Leaky Gut: as lesões na parede intestinal deixam penetrar moléculas alimentares, toxinas, presentes nos dejectos (pesticidas, cálcio excessivo, factores de crescimento). A absorção alterada pode resultar em dor abdominal, diarreia, fadiga, aftas, dores ósseas, anemia… e, os mais jovens são os mais lesados. Isto porque a alimentação moderna é constituída por produtos que contêm glúten: trigo, centeio, malte, cevada e aveia, compõem o pão, biscoitos, farinha refinada, hambúrgueres, massas, pizzas, molhos condimentados. O glúten está também nas sobremesas lácteas, carne e peixe panado, comida industrial, mostarda e tudo o que contém espessantes: 1 só grama de farinha de trigo contém 0,12g de proteínas e 102mg de glúten. Temos, ainda, os chocolates, a cerveja, a vodka, sopas pré-cozinhadas e molhos pré-fabricados….

Na intolerância, o glúten induz a síntese de anticorpos IgE que produzem inflamação. Esta pode originar desconforto intestinal e danos em tecidos saudáveis. A supressão de muitos daqueles alimentos e a substituição pelo pão sem glúten elimina quase todos os sintomas. Na doença celíaca, a presença de glúten no ID induz uma resposta do sistema imunitário adaptativo e tem uma prevalência de 1/100, 1/1000, a nível europeu. Apresenta dois picos de frequência: dos 6 meses aos 2 anos e dos 20 aos 40 anos, com maior incidência na mulher, estando associada ao cancro, Alzheimer, reumatismo e doenças auto-imunes, de acordo com a susceptibilidade genética. Há factores que favorecem a DC, o não aleitamento materno, o sal e farinhas refinadas, a ingestão excessiva de glúten antes dos 6 meses e a permeabilidade intestinal, devida ao desequilíbrio da flora bacteriana.

Em ensaios clínicos, os protectores do trigo, inibidores de amilase-tripsina, provocaram uma resposta imunitária em ratos vivos e humanos. Como o trigo produzido precisa de ser cada vez mais resistente a pragas, a quantidade de proteínas aditivadas aumenta, o que pode explicar a enorme quantidade de pessoas “sensíveis ao glúten”. No entanto, os carboidratos são fornecedores de energia vital. Consumir farinha de arroz, milho (fubá), millet, quinoa, trigo-sarraceno, coco, tapioca, mandioca, biológicos e sem glúten, promovem a saúde intestinal e o bem estar. Porém, meu caro leitor, muita atenção ao rótulo “sem trigo”, pois pode falsear a presença de glúten no interior.
Esteja atento às próxima rubricas!
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